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24/03/2018
Empresas que retornam à exploração da área do pré-sal fazem investimentos e impulsionam a arrecadação dos royalties para o combalido Tesouro do Estado.
A retomada do setor de óleo e gás no Rio !
 
Há apenas dois anos, qualquer pessoa com noções básicas de negócios não se arriscaria a apostar suas fichas no futuro da empresa Omni. Voltada para serviços de táxi-aéreo, com foco nas empresas de petróleo, a companhia sentiu feio o baque nesse ramo da economia, a partir de 2014. Tanto que, no ano em que o Rio recebeu a Olimpíada, a frota da empresa encolheu de 54 para 42 aeronaves em decorrência de uma dezena de contratos que não foram renovados. Pesou particularmente a redução na demanda de um cliente em especial, a Petrobras, enroladíssima no escândalo da Lava-Jato e com sua rentabilidade comprometida pela queda no preço do petróleo no mercado internacional. “No auge da crise, tivemos de dispensar cerca de 10% da nossa força de trabalho”, recorda-se o diretor-geral, Roberto Coimbra. Nos últimos meses, o céu limpou como que milagrosamente para a Omni, de forma tão surpreendente quanto na época em que foi tomado por nuvens negras. Desde o fim do ano, 25 pilotos foram contratados, totalizando um efetivo de 200 comandantes. Dois helicópteros foram destinados a prestar serviço à petroleira francesa Total, outros dois cedidos à Petrobras como UTIs aéreas, à disposição da estatal 24 horas por dia. Até o fim do ano, mais quatro aeronaves serão incorporadas à frota, que deve cumprir 36 000 horas de voo até dezembro, 8,6% a mais do que o verificado em 2017, graças à retomada do crescimento do setor petroleiro no estado.
Concorrentes mais novas dos gigantes do petróleo, a exemplo da PetroRio, empresa nacional fundada em 2011, também dão corpo à lista de clientes da Omni. Sediada na Enseada de Botafogo, a corporação pretende investir 350 milhões de reais com a compra de itens e contratação de serviços como a locação de helicópteros para voos até as plataformas. “Boa parte de nossos fornecedores é local”, comenta Nelson Queiroz, presidente da companhia.
A bonança na área de óleo e gás tem sido particularmente alvissareira para as pessoas que trabalham no setor ou em empresas que gravitam em torno dele. Entre os comandantes de helicóptero que alçaram voo nessa nova lufada do petróleo está João Dael Belo, 57 anos. Com uma década de experiência, o profissional foi demitido em junho de 2016 e passou um ano e quatro meses desempregado, vivendo do dinheiro de seu fundo de garantia. “Aproveitei e fiz a viagem dos meus sonhos, para o Sudeste Asiático”, revela. De volta ao Brasil, chegou a pensar em trabalhar como motorista do Uber. Não precisou, pois uma nova chance surgiu em outubro. A data da contratação coincidiu justamente com o sucesso das licitações no novo modelo de exploração dos campos e leilões de blocos da área do pré-sal. A próxima rodada de concessões de blocos exploratórios, a 15ª, está prevista para quinta (29), enquanto outro leilão acontece em junho. Juntos, deverão injetar 3,5 bilhões de reais no Tesouro Nacional.

Depois de mais de uma década de rodadas de licitações e leilões de pouco êxito, o súbito interesse das companhias se justifica por mudanças recentes nas regras do jogo que regem a atividade. Em 2016, a lei federal no 13 365 aboliu a obrigatoriedade de 30% de participação da Petrobras nas plataformas que extraem óleo do pré-sal. No ano seguinte, uma resolução extinguiu a vantagem nas disputas por poços que era oferecida às empresas que se comprometessem em adquirir itens ou serviços de fornecedores brasileiros, o chamado conteúdo local. Por fim, o decreto federal no 9 128 ampliou até 2040 o prazo de validade da isenção tributária na importação e exportação de produtos ligados à exploração do petróleo. Somados, os três fatores deram às companhias estrangeiras — e às nacionais também — motivação extra para que se engajassem na nova etapa da exploração costeira nacional.


O resultado desse movimento já é perceptível em números. O setor petroleiro fechou 2017 em alta, após três anos consecutivos de queda. Segundo dados da consultoria CBIE, a arrecadação estadual de royalties saltou de 6 bilhões de reais em 2016 para 11 bilhões de reais em 2017, um aumento de 82%. A recuperação é visível tanto em pontos como os arredores da ponte Rio-Niterói, na Baía de Guanabara, onde volta a ser frequente o vaivém de navios-sonda como o ODN II, com capacidade para 150 pessoas, e que está sendo preparado para retomar plena atividade aos cuidados de sua proprietária, a Ocyan, antiga Odebrecht Oil&Gas. Perto dali, mas em terra, no bairro de Manguinhos, a Refit dobrou seu time, chegando a 400 funcionários, e passou a operar 24 horas por dia para dar conta das novas demandas do setor. “Estamos perto do limite da nossa capacidade operacional”, diz Cristiano Moreira, presidente do grupo controlador da refinaria. Entre os recém-contratados da empresa está Camilla Souza, 27 anos, que comanda a equipe responsável pela análise de matérias-primas e produtos. Formada em química, a técnica gostou tanto do trabalho com combustíveis que já pensa em fazer uma pós-graduação na área. “É um tema fascinante, que envolve a gente”, comemora ela.

A perspectiva de um novo ambiente de negócios traz para a cidade trabalhadores dos quatro cantos do mundo e pode ser percebida de diversas formas. Um exemplo: serviços voltados especificamente para expatriados, como as escolas internacionais. “Estão chegando muito mais alunos estrangeiros do que indo embora, ao contrário do que vinha acontecendo nos últimos anos”, explica Rhina Bardi, diretora de admissões da Escola Americana, com duas unidades no Rio, na Gávea e na Barra. No ano letivo iniciado no segundo semestre de 2015 e encerrado em 2016, entraram na instituição 117 estudantes de outros países. Já no período que começou em 2017, eles foram 165,47% do total de 315 matriculados.

Fenômeno semelhante ocorre em cidades que vincularam praticamente toda a sua economia à extração e ao processamento petrolífero, como Macaé, a cerca de 190 quilômetros da capital. Projetado como uma espécie de condomínio de empresas, o Parque Industrial Bellavista sofreu uma violenta baixa na procura por terrenos em 2016 e teve de se adaptar aos novos tempos — caiu de 300 para 250 reais o preço do metro quadrado, e diminuíram de 200 000 para 5 000 metros quadrados as frações para venda ou locação. As mudanças começaram a surtir efeito em 2017, quando quatro companhias se instalaram no local. Em 2018, a expectativa é que o número de recém-chegadas dobre. Nos melhores hotéis do município, onde a diária podia custar até 700 reais nos tempos dourados da corrida do pré-sal, o valor da hospedagem hoje é um terço do cobrado no passado. Porém, o índice médio de quartos ocupados, que alcançou o patamar de 30% no pior momento da crise, já se encontra em 70%.

O município do norte do estado não é o único a comemorar os novos tempos. A Petrobras se prepara para começar a instalar sete plataformas de extração em diferentes pontos das bacias de Campos e Santos e construir a unidade de processamento de gás do Comperj, em Itaboraí. Esse último deve custar 3,5 bilhões de dólares. A norueguesa Statoil, uma das exploradoras do pré-sal, com grande tradição na exploração de águas profundas no Mar do Norte, planeja passar pelo menos as próximas cinco décadas por aqui fazendo negócios — e ganhando muito dinheiro. A Shell pretende investir 2 bilhões de dólares anuais na exploração de petróleo no estado. “Costumo dizer que ainda temos apetite para mais negócios no Brasil”, explica André Araujo, presidente da multinacional anglo-holandesa no país. Se quem está dentro não quer sair, aqueles do lado de fora estão loucos para entrar. “Recentemente, fomos a Houston apresentar o mercado e a legislação brasileiros para empresas interessadas em atuar aqui”, conta Adriano Oka, da corretora de seguros JLT Brasil. “De dois anos para cá, o número de multinacionais que nos procuram para entender como o setor funciona cresceu muito”, relata Carlos Frederico Bingemer, do BMA advogados.

As projeções dos conhecedores do ramo apontam para um futuro não tão próspero quanto aquele desenhado nas fantasias do passado pré-crise. Na época, falava-se que o Rio tinha vocação para se tornar uma espécie de Dubai tropical. Delírios à parte, ainda assim é um cenário bastante animador, dada a realidade atual. De acordo com cálculos do Instituto Brasileiro do Petróleo, a indústria petroleira deve criar 115 000 postos de trabalho no estado até 2022. Durante a crise do setor, 300 000 vagas foram eliminadas. Um senão apontado por especialistas: por se tratar de receita atrelada a uma commodity, cujo preço oscila ao ritmo do mercado e das interferências dos países produtores, tem de ser analisada com muito cuidado pelos governos — em 2012 o barril de petróleo valia mais de 100 dólares; em 2016 chegou a menos de 45; e hoje está na casa dos 60.

Os recursos dos royalties não devem ser usados, por exemplo, para bancar despesas fixas do governo estadual, como aposentadorias de servidores ou orçamentos de saúde e segurança. “Fazer isso é cair em uma armadilha”, adverte Fabio Klein, da Tendências Consultoria. Em países como a Noruega, o dinheiro pago ao Estado pelas companhias por exploração de petróleo custeia fundos de investimento e reservas financeiras para momentos de crise. É o que planeja fazer a cidade de Niterói, com 30% dos recursos referentes ao Campo de Lula a que tem direito como pagamento de royalties do petróleo. De janeiro a outubro de 2017, plataformas a 260 quilômetros da costa niteroiense renderam mais de 450 milhões de reais. Há planos para que, a partir deste ano, um terço dessa receita extra venha a ser investido como reserva. Sábia providência.

 
 
Fonte: Veja Rio
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